Dá pra dizer que, quando Ozzy Osbourne soltava aqueles gritos roucos no microfone, era quase o mesmo sentimento de descer um corrimão pela primeira vez, é histórico. E não é só isso que aproxima o rockstar dos skatistas, os sons que influenciaram boa parte do rock também deixaram marcas profundas na cultura do skate.

Ozzy era o Prince of Darkness, com um som cru, barulhento, imperfeito, e por isso mesmo, perfeito pra andar de skate. Quando o Black Sabbath começou a aparecer nos vídeos, tudo fez sentido. Difícil explicar, mas era como uma noite calma de lua cheia: parecia que um nasceu pro outro. Assim foi Ozzy para o skate.

Ozzy, infelizmente, nos deixou ontem. Um dos maiores. Um símbolo do estranho, do sujo, do ousado e, de certa forma, tudo isso também define o skate.

Preparamos abaixo uma seleção com 10 vídeos em que Ozzy Osbourne não só faz parte da trilha sonora, mas se junta como integrante da obra, sendo impossível assistir ao vídeo sem sua voz de fundo. O Príncipe das Trevas ajudou a transformar muitas videoparts em verdadeiros ícones. Essa é nossa singela homenagem.

Descanse em paz, Ozzy.

Baker 3 (2005) – Braydon Szafranski | Black Sabbath – Under the Sun / Every Day Comes and Goes

O maior problema dessa parte sempre foi o nome Braydon Szafranski, difícil de decorar, o que fez muitos skatistas simplesmente citarem Black Sabbath como referência.

A verdade é que o Beagle caprichou demais em Baker 3, e essa parte acabou se tornando uma das favoritas de muita gente. A virada da música, acompanhada de um caballerial kickflip em slow descendo uma escada, causava arrepios. Sem falar naquele kickflip shifty na triple set pra encerrar com chave de ouro.

Mas o que realmente transformou tudo inesquecível foi Ozzy, e todo o peso do Black Sabbath no vídeo.

Zero “Misled Youth” (1999) – Matt Munford | Black Sabbath – N.I.B

Minuto 5. Nesse vídeo, Jamie Thomas usa apenas a intro de N.I.B., e ainda assim entrega uma baita parte.

Os vídeos da Zero sempre seguiram aquele estilo com cortes secos, ritmo acelerado, e esse aqui mantém a mesma identidade. É muito corrimão pra menos de dois minutos de vídeo. E, claro, com Black Sabbath de trilha, tudo soa ainda melhor.

C1rca “Its Time” (2006) – Jon Allie | Black Sabbath – Gypsy

Jon Allie tem um jeito único de andar em corrimãos. É como se flutuasse sobre eles, como uma pluma, porque a forma com que executa manobras complexas em corrimãos cabreiros é quase inacreditável.

Nesse contexto, Gypsy faz todo sentido: a música acompanha a personalidade de Allie sem ofuscá-lo. Um par perfeito, eu diria.

E o deleite final vem quando ele encerra a parte com um kickflip frontside tail descendo uma hubba clássica.

Baker “Bake and Destroy” (2012) – Riley Hawk | Black Sabbath – Cornucopia

Que bom que Riley Hawk não seguiu exatamente os passos do pai: certinho, cordial. Pelo contrário, parece ter ido na direção oposta: rebelde, ousado.

Se ele fosse como Tony, Black Sabbath talvez nem encaixasse tão bem nessa parte. E dá até pra dizer que o sogro de Riley, Kurt Cobain, teria se orgulhado, se estivesse vivo.

No fim das contas, tudo que o Beagle toca, ele faz bem feito, e com essa parte não foi diferente. Cornucopia foi a escolha perfeita.

Habitat “Inhabitants” (2007) – Fred Gall | Black Sabbath – Lord of This World

A introdução é pura destruição: televisão explodindo na linha do trem, casa sendo demolida… e nada melhor que Black Sabbath como trilha pra esse caos.

Muito wallride, picos abandonados, Skate and Destroy na essência. Não tem muito o que dizer, é um vídeo da Habitat com Ozzy gritando ao fundo. Não tem como dar errado.

Vans “Propeller” (2015) – Anthony Van Engelen | Ozzy Osbourne – Over The Mountain

Anthony Van Engelen fechando o full length da Vans ao som de Ozzy, quer mais o quê? Rolê agressivo, e ao mesmo tempo técnico, com switch pra todo lado.

O solo de Over the Mountain embalando as marretas atrás de marreta numa parte que já é clássica. Van Engelen no auge, todo skatista deve assistir.

Shake Junt (2006) – Erik Hamamoto and Braydon Szafranski | Black Sabbath – Supernaut

Minuto 21:35. A virada de Dr. Dre e Snoop Dogg para Black Sabbath é aquela simbiose que só o Beagle sabe fazer. Não é só jogar uma música por cima e torcer pra funcionar, ele entende o que faz e faz muito bem feito.

Mais uma vez, Szafranski entra ao som dos vocais de Ozzy, agora dividindo a parte com Erik Hamamoto. Cortes secos, manobra atrás de manobra, é assim que esses dois conduzem a parte, no melhor estilo Shake Junt.

DVS “Skate More” (2005) – Zered Bassett and Dennis Busenitz | Black Sabbath – The Wizard

Como uma banda consegue fazer tantos hits como o Black Sabbath? É difícil evitar os clichês, mas a verdade é que eles são simplesmente foda. Tudo o que produzem carrega um peso absurdo, uma identidade única.

E o que dizer do início dessa parte, com Zared Basset mandando um switch kickflip em silhueta, perfeitamente sincronizado com The Wizard? Parece que foi feito pra ser assim: sublime.

E ainda tem Dennis Busenitz, sem equipamento, rasgando o bowl do RIOSUL, no Rio de Janeiro. É o tipo de parte que entra pra história, e a escolha do Black Sabbath como trilha só fez tudo soar ainda mais épico.

Toy Machine “Welcome to Hell” (1996) – Donny Barley | Black Sabbath – Sabotage

Welcome to Hell é um vídeo essencial para qualquer skatista de rua. Vandal, cru, sujo, exatamente como um vídeo de rua deve ser. Sabotage foi a escolha perfeita pra trilha sonora.

E ainda tem Donny Barley mandando um Switch Barley grind e, na sequência, um Barley grind, batizando a trick e finalizando com chave de ouro.

Emerica “Stay Gold” (2010) – Bryan Herman | Black Sabbath – Faires Wear Boots

Lembra do kickflip nose manual infinito que o Bryan Herman faz na Calçada da Fama? Ou daquelas sessões nas picnic tables, onde ele manda todas, e mais um pouco? Nenhuma dessas lembranças supera o nollie 360 kickflip descendo 12 degraus, aterrissando com o impacto perfeitamente sincronizado ao som da guitarra de Faires Wear Boots.

Essa parte se tornou um ícone, muito por conta dessa entrada emblemática ao som de Black Sabbath.

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