Abril de 2026. Em um cenário saturado de vídeos de skate, “Answer Me” emerge com identidade suficiente para se destacar em meio a esse tsunami virtual imparável. O projeto, dirigido por Raphael Henriques, o “Cabeça”, natural de Divinópolis (MG), marca o segundo vídeo da série VXMODE, que já havia colocado nomes como Wes Kremer e Chris Haslam na produção anterior, “Working On”.

Se no primeiro vídeo, em tradução livre, Raphael o batizou como “trabalhando”, no novo projeto ele vem com “Me Responde” acompanhado da imagem de um orelhão na arte de divulgação. Que mistério é esse? Foi com esse tipo de inquietação, meio jornalística, que corremos atrás do diretor em busca de explicações, ou pelo menos algo que aliviasse a curiosidade. 

Em um feed infinito onde vídeos aparecem e desaparecem na mesma velocidade, o que ainda faz alguém parar para assistir? Talvez a resposta esteja naquilo que não pode ser performado, como a dedicação e o envolvimento do criador com a obra. E isso, inevitavelmente, sempre reflete no resultado final.

“Answer me” funciona quase como um trabalho artesanal. Seu processo se desenvolve de forma orgânica, com imagens captadas inteiramente em uma Sony VX, escolha que não só define a estética, mas também transporta o espectador direto para “golden era” do skate. As sessões transitam por Barcelona, com passagens por Madrid, Dinamarca e Suécia.

Sem mais delongas: chamamos Raphael para uma conversa rápida, dentro do possível, considerando uma rotina que claramente não é das mais desocupadas, para entender a construção do projeto e o que ainda o move a produzir vídeos de skate em um momento em que, teoricamente, já existe conteúdo que jamais conseguiremos ver em uma única vida aqui na Terra.

Foto por Guiri Reyes

Para começar, o que mais te atrai em um vídeo de skate? 

O jeito que é filmado, o corte das imagens e a expressão. 

Em tradução livre, “Answer Me” significa “me responde”. Qual foi a sua intenção ao escolher esse nome para o vídeo? 

Porque ela não responde já tem um tempão. (rsrsrs)

Em meio a uma enxurrada de novos vídeos de skate lançados diariamente, o que ainda te motiva a continuar produzindo em 2026?

Já fiz algumas coisas, mas eu não me considero exatamente um “produtor”. Hoje em dia, não tenho mais a intenção de sair filmando todo mundo. Só costumo filmar quando estou em missão com alguém que também sabe, porque aí existe uma troca real e a chance de tentar algo novo. Passei quase dez anos seguindo uma galera e praticamente sem perceber, e nesse tempo eu tinha vontade de fazer coisas acontecerem, participar mais ativamente e evoluir junto com as pessoas ao meu redor. Aconteceu muita coisa boa, mas também situações bem difíceis. Você acaba se iludindo, algumas pessoas se aproveitam da sua boa vontade, e se você não tiver tempo e dinheiro é osso. Então como que arruma dinheiro estando na rua andando de skate o dia inteiro sem trabalhar? Na maioria das vezes, quem consegue se sustentar nesse meio já entrou com algum tipo de estrutura/suporte financeiro ou vive de naipe, porque é um universo caro. Depois de tantas idas e vindas, de ver que tem um monte de cara frustrado, acho que o que me mantém motivado hoje é ter meu trampo, minha grana pra viajar quando eu quiser e produzir com quem corre comigo.

Por que você ainda prefere produzir vídeos em VX em vez de aderir ao HD?

Cara na época que eu comprei a câmera, eu escolhi porque era a mais barata, e eu queria uma de zoom. Nem pensava em lente, queria era gravar umas manobras minha, os amigos e boa. O Arthur Dias (Arthug) já tinha uma, e estava gravando o “Press Esc”, ele me motivava bastante. Isso foi meados de 2016. Em 2017 o Arthur soltou o vídeo da Esc com aquela parte do Thiago Lima, e de quebra saiu o “Adrenaline Junkie” da GX1000. Ai o bagulho ficou doido, consegui uma MK1, comecei a filmar com o pessoal da FTC Barcelona (atual Petshop Skateboards) e as coisas foram acontecendo, hoje em dia é realmente difícil usar outra câmera.

O elenco do vídeo é bastante expressivo, assim como no primeiro projeto (VXMODE – Working on), que contou com Chris Haslam e Wes Kremer. Você se sente pressionado ao filmar esses skatistas ou encara como uma sessão comum entre amigos? 

Nada, o elenco do primeiro video eu conheci essas pessoas no dia a dia e em missões junto com amigos, exemplo Daniel Galli e Thaynan, que na verdade eu perdi ate a conta de tanta gente que eu conheci através deles. Então era de boa, tipo todo mundo conhece todo mundo, eu fazia um segundo ângulo, às vezes uma pessoa estava andando sem ninguém filmar, eu gravava sem compromisso e assim fui juntando imagem. O segundo video a gente estava mais preparado, todo mundo vivendo em Barcelona, programamos as viagens, algo mais direcionado, e ainda vai sair mais coisas dessas trip.

Quanto tempo você levou para concluir o projeto e por quantos países vocês passaram durante as gravações?

O “answer me” foi rápido porque como eu disse a gente já compartilha das mesmas sessões há um tempo e eu tinha imagem dos caras, e também queria soltar umas do Elias Lisboa (Zuno). Aí quando eu escutei a música usada no vídeo, vi que estava conectada com a do primeiro, depois de uma semana eu consegui editar. VXMODE é uma série de dois vídeos. Os países foram: Espanha, Dinamarca e Suécia.

Quais são seus próximos planos vivendo em um dos principais polos do skate mundial e utilizando uma das câmeras mais emblemáticas da cultura do skate?

Em teoria é terminar uma parte que estou fazendo, também estou terminando de filmar a do meu amigo Renan Zazula, nos tá velho, custando a fechar isso. Logo menos a gente acaba e quero aposentar a VX, talvez comprar uma P2 e seguir manobrando. JAH BLESS!

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