A Yeah Skateboard, marca de shapes fundada em 2007 na cidade de Bérgamo, Itália, encerrou suas atividades com classe. A despedida, em grande estilo, aconteceu por meio do full video “Força Bruta”.
Após 16 anos de mercado, entre a Itália e o Brasil, é com grande pesar que noticiamos o fim de mais uma verdadeira marca de skate: a Yeah Skateboards. Infelizmente, isso se torna cada vez mais comum, contrariando as mirabolantes especulações feitas por muitos skatistas, que acreditavam que a inclusão do skate nas Olimpíadas beneficiaria marcas autênticas.
O anúncio feito pelo blog The Filmerd, de Giulio Sertori, aponta um dos motivos que contribuíram para o fim da marca: “Cúmplice disso também são as várias lojas que sempre ajudamos nos momentos difíceis e que viraram as costas no nosso momento difícil. O público também: “da hora a marca”, “que tesão a Yeah”, “me patrocina aí”, “patrocina o evento pra nós, família!”, a galera só pedindo… daí fica foda continuar, só material saindo e nada entrando”.
É uma pena que essa não seja a realidade de tantas marcas de energéticos e multinacionais que vampirizam o skate. A marca da capivara revelou talentos como Vinicius Costa, skatista cearense que hoje conquista o mundo. Eles chegaram a fazer um vídeo especial, o Capivara Nova Ordem, quando Vinicius deixou a equipe, mostrando a diferença entre uma marca de skate e outra qualquer, que é o compromisso com a cultura, mesmo nos momentos mais difíceis, e que despedidas em grande estilo fazem parte da identidade da Yeah Skateboards desde sempre.
Quem sai perdendo com esse fim é o skate, que está cada vez mais nas mãos de grandes corporações. E, se levarmos em conta o que Thomas Sankara disse: “quem te alimenta, te controla”, veremos situações como essa se repetirem com frequência, até o ponto de não reconhecermos mais a nossa própria cultura. O The Filmerd conta também que: “Este vídeo é da classe trabalhadora, tudo foi filmado durante as férias, pós-trabalho e, às vezes, entre um trabalho e outro… foi feita uma verdadeira FORÇA BRUTA pra terminar o vídeo”. As viagens para as gravações também foram financiadas, em grande parte, pelos próprios skatistas, uma vez que a Yeah se mantinha no limite da resistência ao mercado. O esforço foi feito por amor ao estilo de vida e por gratidão à marca.
Apesar de ter encerrado as atividades, no fim do anúncio Giulio deixa uma pequena faísca de esperança: “Skatevideo sem fins comerciais. Durante os três anos de filmagens, a Yeah Skateboards acabou encerrando suas atividades, o vídeo foi finalizado pelos skatistas e Filmerd como uma crew e acabou sendo uma homenagem aos últimos anos da Yeah”. Se os skatistas se uniram para homenagear a marca, mesmo com seus empregos no caminho, é possível acreditar que a Yeah continuará com seu legado através dos verdadeiros skatistas, seja como uma crew ou simplesmente mantendo viva a cultura do “DON’T FUCK WITH MY CAPIVARA“, marcada pela identidade dos maravilhosos vídeos da Yeah Skateboards.
Obrigado, Yeah Skateboards, por ter enriquecido a cultura até o último suspiro.


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