É comum que, ao longo da vida, diminuamos a energia dedicada ao skate por inúmeros fatores, especialmente quando não se vive financeiramente dele. No entanto, existem algumas pessoas que continuam fazendo do skate seu estilo de vida, ainda que sem transformá-lo em uma profissão. Felipe Alvarenga, conhecido como Pancainha, é um grande exemplo disso.

A história de Pancainha com o skate começou nas ruas de Divinópolis, em Minas Gerais. Conheci-o em 2006 ou 2007, se não me engano. Os rolês naquela época eram divididos entre a Praça da Catedral e o Parque da Ilha, onde tínhamos alguns obstáculos de madeira e andávamos nas quadras. Ele sempre foi muito disposto no skate. Lembro de várias vezes em que eu chegava ao rolê e ele já estava andando; e, quando eu ia embora, ele continuava. Mas, certa hora, a cidade se tornou pequena para ele. Após vender sua moto, fez as malas com destino a Barcelona. Em 2020, fiz minha primeira visita à meca do skate, e foi Pancainha quem me apresentou à cidade. Andamos de skate todos os dias, cerca de 12 horas ou mais nas ruas. Para manter um ritmo assim, com a mesma intensidade de décadas atrás, é preciso amar muito o que se faz.

Quem acompanha a trajetória de Pancainha percebe que o que ele já fez (e continua fazendo!) para andar de skate se aproxima de um sacrifício. Para viver o que acredita, é preciso abdicar de muitas outras coisas. E, mesmo com as adversidades da vida, ele mantém o carrinho nos pés após 37 anos de skate na veia, ainda vive o sonho que tinha quando criança… Pancainha é um skatista amador com uma imensa caminhada, que preza pela liberdade e coleciona vivências por meio de seu estilo de vida intenso. Isso me lembra aquela célebre fala de Clarice Lispector: “Eu sou amadora e faço questão de continuar a ser (…) Faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade”.

A devoção de Felipe ao skate é inspiradora. Aos 43 anos, ele segue apaixonado por seu estilo de vida e aproveita todas as oportunidades que isso proporciona. É admirável ver a vontade de andar de skate que Pancainha nutre até hoje, sem nunca ter dado uma pausa. Trocamos uma ideia e ele falou sobre sua história, como fugia da polícia em sua cidade natal, skate nas Olimpíadas e Half Cab Heel’s.

Fakie Shove-it, Paral-lel, Barcelona.

E aí mano, suave? Vamos começar com uma curiosidade. Nos explique por que você usa o “nose” como “tail”.

Essa é a melhor pergunta (risos). Foi o seguinte: eu acompanhei a evolução do skate desde o início, né? Eu sou dos anos 80. Meu primeiro skate não tinha nose, e, quando o skate evoluiu, o shape passou a ser double deck. Inclusive, esse formato ainda existe, e muitos profissionais ainda o usam. Então, me acostumei com o tail grande, já que tanto o nose quanto o tail eram iguais. Quando comecei a fazer manobras de fakie, me senti mais seguro usando o nose em vez do tail. Ao ver a galera andando de nollie, tentei fazer a mesma coisa com o fakie e usar o nose. Quero dizer, o shape double deck permitia usar os dois lados com mais segurança, saca? Não fazia diferença. Eu também faço manobras de fakie com o tail, mas essa inversão para o nose foi por causa da minha relação com o shape double deck e por observar como a galera andava de nollie.

A Praça da Catedral, pico tradicional de Divinópolis, foi o quintal da sua casa, certo? Como foi pra você, começar a andar de skate lá?

Eu comecei a andar de skate por causa do Júlio, que é filho de um rapaz que a minha avó conheceu depois de se divorciar do meu avô. Considero ele como parte da minha família, como um tio. Ele já andava de skate e me levava para andar na Catedral. Como ele era amigo dos skatistas locais, foi através dele que comecei a andar de skate lá. Depois disso, me enturmei com a galera. Na época, em 1987, eu brincava muito ali na Praça da Catedral. Como toda criança, eu brincava de carrinho, pique-esconde e tal. Mas, quando os caras chegavam com o skate, eu deixava de brincar com meus amigos e dizia: “Galera, valeu, vou lá andar de skate.”.

Você se lembra de quando ganhou seu primeiro skate?

Meu primeiro skate foi um da Bandeirantes (loja de brinquedos) que minha avó me deu quando eu tinha 7 anos. Porém, eu já andava de skate e sabia que aquele não era bom. Então, falei com a minha avó: “Vó, eu quero um skate igual ao dos caras, não quero andar com um skate da Bandeirantes.” Depois disso, ela, numa das viagens que fazia para o Paraguai, me trouxe um outro skate. Mas os trucks eram de plástico e não duraram nem um mês, porque eu já sabia fazer algumas manobras.

Quando a polícia chegava, a gente metia o pé; saíamos correndo e nem esperávamos eles descerem do carro

O skate chegou a ser proibido em Divinópolis em uma época, né? Como você fazia para andar de skate nesse período?

Quando proibiram andar de skate na Catedral, eu já era adolescente, tinha uns 16 anos. Nessa época, tinha muita repressão, cara. Tinha um rondante que sempre corria atrás da gente. Nessa fase, a gente correu muito dele; ele vinha com um machado. Vish, era muito foda. Depois de tanto ter problemas com o rondante, veio a polícia. Lembro que meus amigos guardavam os skates na minha casa, porque quando a polícia corria atrás da gente, a casa mais próxima era a minha. Guardávamos tudo na garagem; ficavam uns 10 skates, às vezes mais (risos). Quando a polícia chegava, a gente metia o pé; saíamos correndo e nem esperávamos eles descerem do carro. Aqueles que não conseguiam correr e ficavam pra trás tinham seus skates apreendidos. Daí, era preciso ir à delegacia com os pais no outro dia para buscar os skates. Era uma treta.

Você já teve o skate preso?

Uma única vez. Como não podíamos andar na praça, colocamos uma rampa na rua, mas era preciso usar a praça para pegar embalo, porque o chão era liso. Daí, fui na rampa e fiz um Rock and Roll ou algo parecido, mas a polícia chegou e parou em frente à rampa. Quando voltei da rampa, bati de frente com o capô do carro da polícia. E, dessa vez, eles levaram meu skate. Depois de um tempo, tiraram a placa de proibição do skate na praça. Nessa época, já tinha o “Toinzinho”, o primeiro skatepark “street” de Divinópolis. Foi aí que comecei a sair da Catedral para explorar outros picos, porque estavam surgindo novas cenas de skate na cidade, como a do bairro Planalto. Mas, apesar de não ser mais proibido, ainda havia muita repressão. Hoje em dia, o skate está nas Olimpíadas, né? Essa galera não sabe de nada.

As Olimpíadas contribuem para a desinformação sobre o estilo de vida do skatista

Aproveitando que você tocou nessa polêmica, qual é a sua opinião sobre o skate nas olimpíadas?

Eu tenho até dor de cabeça quando falo sobre isso, sabe? (risos). Para mim, as Olimpíadas não ajudam o skate em nada, muito menos na visão que a sociedade tem sobre ele. Para mim, o skate representa outro tipo de pensamento e realidade. Existe competição, sim, mas as Olimpíadas contribuem para a desinformação sobre o estilo de vida do skatista, e a competição se transforma em um espetáculo que não acrescenta nada ao skate. Ela não mostra o skate verdadeiro, apenas um pequeno fragmento. Por exemplo, o uniforme. Nunca vi um skatista ser obrigado a usar um uniforme de atleta num campeonato de skate; sei lá, cara, isso não tem nada a ver com o estilo do skatista. Pode ser que esteja ajudando marcas como a Nike a vender mais, mas o skate não está recebendo nada em troca; acho que está apenas sendo sugado, principalmente em relação ao reconhecimento do skate como um estilo de vida. Agora, é moda.

Essa ideia de torcer por algum skatista também é reforçada nas Olimpíadas, pois nos campeonatos de skate de verdade isso não é comum.

Mano, eles inventaram essa cultura de torcer. Desde que comecei a participar de campeonatos de skate, aprendi que no skate não existem adversários. Não é assim, cara; skate não é isso. Eu, por exemplo, torço para todos os skatistas que estão competindo acertarem suas manobras. O skate é isso. Essa coisa de torcer para o outro errar não tem nada a ver com o skate. Eu quero ver o que os skatistas conseguem fazer; é pra isso que vou aos campeonatos ou assisto quando estou em casa. Mesmo se os caras errarem as manobras, vou bater palmas pela tentativa deles. As Olimpíadas não mostram essa parte. A competitividade no skate não é igual à que as Olimpíadas mostram. Isso está causando efeitos negativos nos skatistas. Hoje, quando vou ao skatepark, vejo a molecada competindo entre si e comigo, como se eu fosse o adversário deles. Não me sinto muito confortável em andar de skate assim. Quero andar de skate e não competir com outros skatistas.

Outra coisa comum nas Olimpíadas são as manobras repetitivas, né? Os skatistas treinam incansavelmente uma linha e decoram aquelas manobras para repeti-las durante todo o evento. O skate que conhecemos é tão criativo, mas na televisão parece tão robótico.

Não vejo como algo assim pode enriquecer o skate. Eu me dava muito mal nos campeonatos por esse motivo. Eu não ficava treinando linhas; tentava mostrar as manobras que aprendia, o que sabia de novo e difícil. Acho que esse negócio de treinar linhas deixa o skatista muito monótono, saca? Numa competição de skate, você tem que ser você, do jeito que anda no dia a dia. O legal é mostrar a sua personalidade, seu estilo, não apenas aquilo que você decorou para ganhar pontos. É isso que eu penso.

Em qual momento você se deu conta de que não conseguia largar o skate?

Nossa, cara, essa pergunta é difícil. Acho que senti isso quando comecei a correr atrás de ser um skatista profissional. Eu era uma criança e não tinha ideia do que significava ser um profissional de skate. Eu andava de skate por ser algo novo; o skate é algo muito subjetivo. É muito difícil responder essa pergunta e explicar quando foi esse momento. Por exemplo, estou vivendo isso agora, aqui em Barcelona, tá ligado? Acho que tudo que fiz no skate me trouxe esse sentimento, e eu entendi que não consigo separar o skate da minha vida. Não sei se consegui responder à sua pergunta.

Está ótimo! Vamos falar sobre Barcelona. Quando foi sua primeira visita ao MACBA? 

Foi em 2012. Fiquei dois meses aqui na minha primeira vez. Vim junto com meu mano, Raphael Cabeção. O nosso objetivo inicial era apenas sair de Divinópolis; queríamos sair de lá de qualquer jeito, pois estávamos cansados daquela cidade. Barcelona nem passava pela nossa cabeça; o sonho mesmo era a América, né? O berço do skate. Um belo dia, em 2011, mexendo no Facebook, vi uma foto do meu amigo Caio Chavão aqui em Barcelona. Então, falei com o Cabeção: “Vamos para lá!”. Viemos em 2012 e ficamos dois meses. Voltei e fiquei um ano em Divinópolis, e em 2013 vim definitivamente para morar. Estou aqui desde então.

Heelflip, MACBA, Barcelona.

Por que decidiu morar em Barcelona?

Tipo assim, cara… Eu valorizo muito a informação, mas nem todo mundo valoriza. Você vê que, mesmo com o telefone na mão, a maioria não consegue se informar bem. Divinópolis é uma cidade muito pequena e as informações lá são restritas; eu queria mais do que ela poderia me oferecer. Eu queria viver o skate de verdade, sabe? Isso que você está fazendo com a Rataria, por exemplo, é informação. Você está ajudando os skatistas a entenderem o que é o skate. Eu tive que sair de lá porque não conseguia enxergar potencial no skate ali; Divinópolis não tem muito a oferecer para quem quer viver verdadeiramente o skate. Eu queria viver como os skatistas americanos, e quando cheguei em Barcelona, pensei: “Caralho! Aqui é a cidade do skate, é isso que eu quero viver.” Aqui é o pico mais famoso do mundo. Quando vim pra cá, morava em um quarto pequeno perto do MACBA. Eu estava feliz, cara. Muita gente vem pensando em ganhar dinheiro, né? Eu não; eu vim para viver o skate, realizar o sonho que eu tinha quando assistia 411, com os “Day in the Life” dos skatistas. Esse sonho eu tinha aos 18 anos, mas consegui realizá-lo aos 32. Talvez, se eu tivesse vindo com 18 anos, não teria cabeça para aproveitar da forma como aproveitei aos 32. Para mim, aquele ditado “nunca é tarde demais para viver um sonho” funcionou. Estou vivendo esse sonho; dia 22 de setembro fez 11 anos que estou morando em Barcelona. Então, é isso: vim para cá para viver o skate. Já pensei em sair daqui várias vezes, mas não consigo; aqui tem muito skate. Sou viciado em skate.

Quais foram as diferenças que você encontrou entre a cena do skate da cidade onde nasceu, no interior de Minas, e a cena do skate global em Barcelona?

Cara, a principal diferença é a informação. Em Barcelona, você sai para a rua e vê os skatistas filmando nos picos. Em Divinópolis, não tem isso. Aqui, mano, você vê skatistas do mundo inteiro. Tenho acesso a informações em tempo real sobre o que acontece o tempo todo no skate. Você já veio aqui e sabe do que estou falando. É o que eu disse antes: Divinópolis é uma cidade muito pequena, e as informações que eu queria ela não podia me dar. Estamos em 2024 e Divinópolis continua a mesma coisa de quando eu saí de lá, há 11 anos. É foda, cara. O pessoal de lá tem que ir mais para a rua, filmar e sair um pouco da pista. Pode ser que Divinópolis mude daqui a alguns anos, não sei. Eu me considero um cara muito ambicioso em algumas coisas e queria mais do que a cidade podia me dar. Se eu ficasse em Divinópolis, por exemplo, nunca teria aparecido em uma revista.

Em qual revista você apareceu?

Foi em 2001, na seção de amadores: “Carne Nova”, pela Tribo Skate. Um Half Cab Heel Noseslide em São Paulo, na praça do Morumbi, com foto do Otávio Neto. Estava com o Jorge Negretti e o Rafael Boi; eles precisavam fazer um anúncio para a NEW e eu aproveitei que tinha um fotógrafo para registrar essa manobra. A foto nem era digital, era de filme. Então, só consegui ver a foto quando foi publicada na revista.

Qual a importância de uma vídeo parte pra você?

Sobre isso, tenho algumas perspectivas diferentes para falar. Por um lado, tem o compromisso com a marca, né? Quando você está em uma marca, precisa produzir uma vídeo parte. Para mim, isso é uma propaganda para divulgar o skatista e a marca que o patrocina. Seja uma parte individual ou um full video, se o skatista estiver em uma marca, ele terá que produzir uma parte. Esse é o lado comercial de uma vídeo parte. Por outro lado, além de ser um registro para sua vida, é muito legal quando o skatista a produz pensando em si mesmo. Assim, quando você for velho, poderá lembrar daquele tempo bom. Eu não tenho muitas vídeo partes. Hoje, os vídeos que faço são para mim. A primeira que fiz, logo que cheguei em Barcelona, o YouTube engoliu; sumiu com ela. Mas estou juntando imagens para uma nova vídeo parte. Faço isso por mim, por amor ao skate. Penso que, quando eu tiver 80 anos e assistir, vou dizer: “Ôôô lugar!” (risos). Quando comecei a andar não tinha essa coisa de gravar. A gente andava por diversão mesmo. Acredito que existem esses dois lados: o comercial e o pessoal, e cada um tem sua importância. Mas eu prefiro o lado pessoal, para poder assistir depois que essa fase passar e lembrar dos bons tempos.

Teremos uma boa surpresa em breve, então.

Sim, cara. Só preciso reunir as imagens que tenho com meus amigos e editar.

Sabemos do seu carinho pelo Half Cab Heel. Você se lembra da primeira vez que acertou um? O que mais te chamou a atenção nessa manobra?

Lembro que comecei a andar muito de fakie e, logo que aprendi o Half Cab, pouco tempo depois aprendi o Half Cab Heelflip. Não sou de andar muito de flip; acho que isso contribuiu para que fosse heelflip. Além disso, sou muito fã de um skatista: Geoff Rowley. Quando vi ele mandando o Half Cab Heel, me espelhei muito nele. Inclusive, quando o encontrei aqui em Barcelona, disse a ele: “Obrigado por ser a minha maior inspiração para o Half Cab Heelflip”.

Pancainha, Tom Penny e Geoff Rowley.

Isso é muito foda mano! 

Sim, cara. Meu primeiro Half Cab Heel foi inspirado no Geoff Rowley, lá em 1998 ou 1999.

Então, para finalizar, nos explique um pouco sobre a sensação de voltar um Half Cab Heel, aos 43 anos, na antiga big four, atual big three do MACBA.

Cara, é difícil, mas vou tentar explicar. Esse meu Half Cab Heel foi muito espontâneo. Na verdade, quando acertei, eu nem tinha energia para isso; estava destruído. Estava andando o dia inteiro e já tinha pulado a escada menor, porque teve um best trick nela. Depois fomos para a big three, e eu pensei comigo mesmo: “Não vou mandar um Half Cab Heel, porque estou muito cansado e tenho medo de me machucar.” Comecei tentando um Pop Shove-it, tentei várias vezes e consegui acertar, mas não me senti realizado apenas com o Pop Shove-it. Então, resolvi tentar o Half Cab Heel. Mas ainda estava rolando o cash for tricks e eu pensava em ganhar o dinheiro. Tentei, mas não consegui acertar, até que o cash for tricks acabou. Decidi parar de tentar também. Porém, veio um sentimento muito forte do skateboard, no fundo do meu espírito, e eu disse: “Vou lá e vou fazer essa manobra, mesmo sem dinheiro e mesmo que não tenha ninguém olhando, eu vou voltar”. Fiquei cego na hora. Essa manobra é minha, cara; eu tenho que voltar. Voltei a tentar e, cara, minha perna estava doendo muito, meu corpo estava moído, sério. Fui na raça, querendo voltar a minha manobra. Quando acertei, entrei em transe. Na minha cabeça, pensava: “Caralho, mano, eu voltei de novo.” Vi a galera vibrando comigo; alguns amigos vieram até mim e disseram: “Não importa o dinheiro, Pancainha, você voltou a manobra, porra!”. O reconhecimento e a sensação de ter feito aquilo espontaneamente foram incríveis. Eu realmente não tinha planos de pular a big three naquele dia; aquilo foi pelo skate, pelo skate raiz, saca? Isso está no meu sangue, cara. Estava com muita câimbra e mancando, não sei o que deu em mim, mas acertei. Eu tive um apagão nas minhas vistas; não enxergava ninguém ali na big three, era somente eu. É o verdadeiro skateboard, mano. Essa sensação, cara, eu não sei explicar.

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